Depois de anos em cima dos livros, tudo que um recém-formado quer é sair da teoria e partir para prática. Porém, nem sempre é tão fácil quanto parece. Com o mercado de trabalho cada vez mais fechado por conta da crise econômica que se encontra em todo o país, os jovens tem encontrado grandes dificuldades de ingressar em uma carreira profissional. Situação que acaba gerando outros transtornos. Frustração, desespero, depressão estão na lista dos sentimentos que assombram esses jovens. Na Região, tudo indica que o quadro é ainda mais sério.

No caso do jornalista, Mateus Marinho, morador de Tamoios, distrito de Cabo Frio, foram quatro meses de frustração. Com o diploma na mão, dezenas de currículos enviados, mas sem emprego na área, ele foi fazendo bicos da forma que podia, mas apreensivo e com receio de ter se esforçado tanto em vão. “Eu fiquei quatro meses desempregado depois que me formei. Confesso que fiquei um pouco desiludido, achei que com o diploma na mão eu ia arrumar emprego rápido. Mas no fundo, eu sei que a crise contribuiu e muito para que eu ficasse esse tempo todo parado”, lembrou.

Também estudante de jornalismo e moradora de Cabo Frio, Jéssica Borges, se formou agora e vive uma preocupação constante. Após um ano e oito meses em um estágio, não foi contratada e sabe as dificuldades que encontrará no mercado. “Me formei em jornalismo no início deste mês de julho. Após um ano e oito meses, sai da empresa na área em que trabalho como estagiaria porque não há vagas para contratação. Desde do início do ano venho distribuindo currículos porque já sabia que existia a chance de não ser contratada por conta da crise, mas até agora nada. É triste e desanimador estudar por quatro anos, passar pelas dificuldades que uma faculdade exige, ter experiência e mesmo assim não ter perspectiva nenhuma de emprego”, lamentou.

Na área técnica, as dificuldades não são diferentes. A estudante Pabila Gomes, que mora em Tamoios, distrito de Cabo Frio e estuda em Rio das Ostras, está prestes a terminar seu curso de logística e mesmo enviando seu currículo para inúmeras empresas, ainda não teve sucesso em pelo menos conseguir um estágio. “Eu sempre trabalhei, mas resolvi me dedicar aos estudos e queria um estágio para que fosse possível conciliar os dois, mas infelizmente, não consigo nada. Tem hora que bate um desespero, que não sei nem como explicar”, contou a estudante, que agora pretende ir em busca de um estágio sem remuneração pelo menos para conseguir completar o curso, mas já teme como será o mercado de trabalho real.

Para quem ainda não entrou na faculdade esse sentimento de frustração é ainda maior. Rafaela Caroline, moradora de Tamoios, sonha em fazer uma graduação, e esperava conseguir um emprego para poder manter os custos dos estudos, mas os meses vão passando e as dificuldades continuam. “Estou há dez meses sem conseguir nada, tem hora que bate um desespero porque é conta que chega pra pagar e não tenho dinheiro. Desanima muito, eu já entrei até em depressão por conta do desespero de emprego”, contou a jovem de 24 anos.

Quadros desse tipo são mais normais do que deveria, segundo o psicólogo, Thomas Speroni. “É muito comum observarmos em jovens recém-formados uma expectativa muito grande pela entrada no mercado de trabalho, por conseguir um posto de trabalho formal na área em que se graduou. Entretanto, quando esses jovens recém-formados são ejetados para um mercado de trabalho em crise, com retração brusca da oferta de emprego e a dificuldade ou até mesmo impossibilidade de conseguir um contrato de trabalho, creio eu que o fator mais preponderante que sobrevém nesse contexto é a profunda frustração do recém formado. Frustração tanto da expectativa de começar uma carreira profissional, quanto pela expectativa de dar os primeiros passos na sua independência, inclusive financeira. Não é raro que em muitos jovens essa frustração seja tão profunda que um quadro clínico pouco saudável acabe por se instalar. É importante, porém, ter em conta que um contrato de trabalho formal na sua área de formação não é a única maneira de começar uma carreira, não é a única maneira de dar seus primeiros passos na sua independência, e tão pouco é a única maneira de seguir na atividade, seguir produzindo na vida”, sugestionou.

 

Texto: Thaiany Pieroni